quarta-feira, 16 de outubro de 2013

SIÃO: A VITÓRIA SUPREMA DO SENHOR

 Agora, naturalmente, estarei me mantendo muito próximo ao simbólico e típico cenário do Velho Testamento, porque, embora as coisas do Velho Testamento já tenham passado, o significado e os princípios espirituais são eternos, de modo que o significado e o princípio espiritual de Sião é examinado e aplicado aqui. Este é o porquê do nome exato Sião ter sido tirado do Velho Testamento e trazido aqui para o Novo Testamento: assim que a próxima coisa sobre Sião é que ele é o símbolo exato da vitória absoluta do Senhor.
Você se lembra do início de Sião? Após terem eles trazido Davi de volta de seu exílio, fazendo dele o rei, os Jebuseus ocuparam Sião e, dali deste local, desdenharam de Davi, dizendo: “Você nunca irá vir aqui” e se fortificaram ali com pessoas cegas e aleijadas, e disseram: “Somente estas pessoas são suficientes para mantê-lo fora daqui”. Era realmente uma fortaleza, tanto que os mais fracos podiam guardá-lo, protegê-la. Se os mais fracos, os cegos e os aleijados podiam, logo, naturalmente, não precisamos dizer que os mais fortes também podem”. Os Jebuseus consideravam aquele Sião como sendo completamente impenetrável, invulnerável, ou seja, a última palavra em segurança, um lugar que não podia ser atacado. Eles diziam: “Você não virá aqui, de fato, é impossível para você fazê-lo”. — “Muito bem,” disse Davi. [Eles aceitaram o desafio.] “Nós aceitamos o desafio” Sabemos o que aconteceu. Davi entrou naquela fortaleza e destruiu a aparente impenetrabilidade, e aquele local acabou se tornando a cidade de Davi; a cidade do Grande Rei. Sua grande e imensa vitória está centrada, registrada e estabelecida em Sião; e Sião é o símbolo e sinônimo do grande poder do Rei de Deus, do Ungido de Deus.
Agora, isto é conclusivo: “Nós já chegamos a Sião”, a Cidade do Deus Vivo. A que chegamos nós? Chegamos à Suprema Vitória do Senhor Jesus Cristo sobre a antiga fortaleza impenetrável _ e o que era essa fortaleza? Citamos Mateus: “Eu edificarei a minha Igreja; e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. E o que você tem ouvido sobre esta expressão: “das portas do inferno”? Não estou muito certo se em meus primeiros dias não cometi este engano. “Portas”, na Bíblia, nas cidades do Velho Testamento, eram os locais onde os conselhos de anciãos vinham para tomar as decisões para a cidade e para a terra; e assim dissemos que as “portas” são os conselhos do Inferno. Não cometa este erro. Isto está correto, mas não é o que realmente quer significar no texto. Qual é a outra fortaleza impenetrável do príncipe deste mundo? É a MORTE. A fortaleza espiritual impenetrável que o Senhor Jesus destruiu pertencia ao “Diabo, que tinha o poder sobre a morte” (Hebreus 2:14). Assim, o Senhor Ressurreto, em Sua apresentação no livro do Apocalipse, bem no início Ele diz: “Eu sou Aquele que vive; estive morto; mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos; e tenho as chaves da morte e do inferno”.
A morte espiritual é uma coisa tremenda, terrível, tanto que o Apóstolo Paulo quase esgota o vocabulário nesse sentido quando diz que deveríamos conhecer “sobreexcelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder,” Pense nisto! O salmista diria: “Selah.” [silêncio, pausa] — Pense sobre isso!
“A sobreexcelente grandeza do Seu poder sobre nós, os que cremos, conforme a operação da força do Seu poder [a energia, a palavra Grega aqui é energia], que Ele operou em Cristo, ressuscitando-O dentre os mortos”. Que linguagem! Está simplesmente além das expressões de Paulo. Ele tinha um bom vocabulário, porém ele mesmo encontra dificuldade para expressar e explicar o que aquilo significava: ressuscitar a
Jesus da morte — vencer a morte!
Oh, é tão fácil dizer: “Deus ressuscitou a Jesus da morte”, mas você entende o que isto significa? A ilustração na Palavra [e, naturalmente, a ilustração sempre falha na presença da realidade], mas a ilustração na Palavra é o Egito, Faraó, e os deuses egípcios. Veja como Deus está apenas, vamos assim dizer, provando o Seu poder através daqueles dez julgamentos. O primeiro é um grande poder, o segundo é um poder maior do que o primeiro, e o terceiro é ainda maior do que o segundo, e assim sucessivamente até o décimo. É um poder crescente, destruindo tudo, derrubando uma grande força; e quando você chega até a coisa consumada, o que você tem? Vida e morte; a morte de todos os primogênitos egípcios; e quando isto foi registrado, o povo está livre, e eles saem ressuscitados! É uma ilustração. Os tipos são sempre pobres na presença da realidade, a realidade é a ressurreição de Jesus Cristo da morte, pela glória do Pai, pela sobreexcelente grandeza de Seu poder — e assim é conosco. Caros amigos, eu imagino que nós não temos nem começado a entender o que isto custou, e qual é este poder que está por detrás, o nosso novo nascimento, o fato de termos sido trazidos da morte para a vida.
Agora, voltemos a Sião. Isto é Sião. “Temos chegado a Sião”. Temos chegado à imensa vitória do Senhor Jesus no campo que supremamente desafiou Deus e o céu, o campo da morte. Morte. E assim, você tem aqui nesta carta, especialmente nos primeiros capítulos, muito sobre morte. “Ele experimentou a morte por todos os homens”. “Ele livrou todos aqueles que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à escravidão.” (Hebreus 2:15). Sublinhe a palavra morte nesses primeiros capítulos, porque isto é básico para todos os que se seguem; e quando você chegar ao final da Carta, você tem aquela grande nota novamente: “Ora, o Deus de paz, que pelo sangue do pacto eterno tornou a trazer dentre os mortos a nosso Senhor Jesus, grande pastor das ovelhas, vos aperfeiçoe...” Fomos trazidos novamente da morte. Aquela morte, que tinha antes colocado um ponto final em toda perfeição espiritual, tem agora sido vencida pelo Grande Pastor das ovelhas.
Eu disse ‘colocou um ponto final’. Você se lembra em Hebreus de Arão e todos os seus filhos, os sacerdotes? A carta diz que eles não podiam aperfeiçoar coisa alguma, porque eles morreram. A morte colocou um ponto final em suas obras, e nada ficou aperfeiçoado. Mas Jesus aperfeiçoou para sempre. Por quê? Porque Ele vive para sempre, “Eu estou vivo pelos séculos dos séculos”, portanto, esta é a esperança e a dinâmica de você ter sido tornado perfeito.
Oh, graças a Deus, “a sobre-excelente grandeza de Seu poder” que irá, finalmente, “nos apresentar sem culpa diante da presença de Sua glória em grande alegria; Igreja gloriosa, sem mancha, nem ruga nem qualquer outra coisa”, _ nos apresentar inculpáveis. Oh, que tremenda palavra! Que ‘apagar de quadro’ é este! (idiomatismo) Sem culpa! E nós aqui em baixo estamos tão preocupados com as faltas do nosso próximo, e com as nossas próprias; e isto se torna um problema _ procuramos pela assembléia perfeita, pela igreja perfeita, e pelo cristão perfeito, e ficamos todos ocupados com isso o tempo todo, ocupados com o que não é perfeito. Faltas e mais faltas. Para nos apresentar sem falta alguma _ “ Ele é capaz de nos apresentar sem falta alguma diante da presença de Sua glória em grande gozo”. Por que? Porque Ele venceu a morte. A morte é uma fortaleza, mas Ele despojou a fortaleza de Satanás:
Ele desceu com Seu Poder Imperial às regiões das trevas: e trouxe de lá o Seu troféu, desprezando completamente a coroa do usurpador.
A coroa de Satanás é a morte. A coroa de Cristo é a Vida: “Eu lhes darei a coroa da vida”. Bem, estamos nós dispondo bastante do nosso tempo com os detalhes de Sião? É a isto que temos chegado. Que nos seja concedida força e fé para apreender aquilo que foi dito. Que possamos entrar no maravilhoso gozo disto.