terça-feira, 17 de abril de 2012

Gênesis capítulo 16



Gn.16:1e2 – “Ora Sarai, mulher de Abrão, não lhe dava filhos, e ele tinha uma serva egípcia, cujo nome era Agar. E disse Sarai a Abrão: Eis que o SENHOR me tem impedido de dar à luz; toma, pois, a minha serva; porventura terei filhos dela. E ouviu Abrão a voz de Sarai”. Podemos ver aqui, a impaciência de Sara, mostrando um coração que prefere tudo e qualquer coisa a ter que esperar com paciência e resignação pela promessa do Senhor. Em Hebreus 6: 12, temos a seguinte exortação: “......Para que vos não façais negligentes, mas sejais imitadores dos que pela fé e paciência herdam as promessas”. Vivemos em mundo de imediatismo e grande pressa, sempre que alguém tem de esperar por alguma promessa de dinheiro ou recompensa, ele logo pensará em receber com juros, se houver atraso; mas na vida de fé, as coisas não funcionam assim, pelo contrário, aquele que possui um espírito subjugado e paciente encontra seu pleno galardão em esperar em Deus o cumprimento de tudo aquilo que Ele prometeu. O que Ele nos dá é sempre o melhor para nosso crescimento e amadurecimento espiritual.
O que Sara estava dizendo de forma inconsciente é: “O Senhor faltou-me; vou usar a minha criada egípcia como recurso para cumprir a promessa de Deus”. Tudo serve, menos Deus, para um coração que está debaixo da incredulidade. Quando agimos desta forma, perdemos a condição calma e equilibrada de uma alma que espera em Deus e lançamos mãos do “uso dos meios” para atingir o fim desejado.
Porém, é algo terrível a amargo afastarmo-nos do lugar de absoluta dependência de Deus. As conseqüências são desastrosas. Se Sara tivesse dito: “a natureza me faltou, mas Deus é meu recurso”, tudo teria sido muito diferente. Sara não olhava para Deus, olhava para a natureza e para “os meios”, se seu ventre estava amortecido, então buscou o ventre de uma jovem egípcia que possuía os recursos naturais para gerar o descendente de Abraão. Assim, com a ajuda da natureza, da carne e dos “meios” humanos, ela pensava estar prestando grande ajuda ao Deus que prometera o sucessor. Não devemos pensar que aqueles que andam pela fé devem, simplesmente, desprezar os meios da natureza, não, antes, a fé aprecia os instrumentos, não por si mesmos, mas por causa d’Aquele que os usa. A incredulidade vê apenas o instrumento e julga o sucesso de uma causa pela sua aparente eficiência. A fé olha para o Deus que usa os instrumentos não importando sua aparente inutilidade. A falta de fé fez com que Sara olhasse para a juventude da escrava ao invés de esperar em Deus. Olhou para o potencial da carne ao invés de esperar na Graça d’Aquele que fez a promessa. Considerou que podia ajudar a Deus pelo esforço da carne humana e, por fim, descobriu, com clareza, que “Deus, não apenas rejeita aqueles que fazem coisas que não O agradam; mas Ele também rejeitará até mesmo aqueles que fazem coisas agradáveis a Ele, porém as fazem de acordo consigo mesmos” (Watchman Nee). Não basta fazer coisas para Deus, nós temos que fazer coisas para Deus, do jeito de Deus, jamais do nosso próprio jeito, esforço ou criatividade. Como bem disse o Senhor a Moisés: “Atenta pois que o faças conforme o seu modelo.....” (Ex.25:40). Todo homem precisa compreender que não há espaço para criatividade humana e carnal na verdadeira “ceara do Senhor”, pois somente Ele Reina e distribui ordens e funções conforme a Sua Palavra. Precisamos atentar para uma grande verdade: “Existe uma grande diferença entre o emprego que Deus faz dos meios para me servir na obra, e o emprego que eu faço destes mesmo meios para excluir Deus da obra”. É preciso atentar para isso neste tempo de tantos “meios e recursos” para a Igreja do Senhor!
Gn.16:3e4 – “Assim tomou Sarai, mulher de Abrão, a Agar egípcia, sua serva, e deu-a por mulher a Abrão seu marido, ao fim de dez anos que Abrão habitara na terra de Canaã. E ele possuiu a Agar, e ela concebeu; e vendo ela que concebera, foi sua senhora desprezada aos seus olhos”. Ora, era evidente que Agar não era o instrumento eleito de Deus para cumprir a promessa feita à Abraão. Assim, logo se iniciaram as conseqüências da precipitação carnal, Agar passou a desprezar Sara quando viu ter concebido. Assim, Abraão e Sara “multiplicaram a sua dor” após ter lançado mão do recurso de Agar.
Gn.16:5 - “Então disse Sarai a Abrão: Meu agravo seja sobre ti”. Sara ainda não possuía clareza do seu pecado e nem da forma de lidar com suas conseqüências, desta maneira, lança sobre Abraão a culpa de sua proposta. Esta não deve ser a forma que devemos lidar com nossas falhas e pecados. Gn.16:6 - “E disse Abrão a Sarai: Eis que tua serva está na tua mão; faze-lhe o que bom é aos teus olhos. E afligiu-a Sarai, e ela fugiu de sua face”. Sara queria se livrar do pecado e de suas conseqüências através da dureza e dos maus tratos, mas isso apenas agravava as coisas. Ela precisava aprender a se humilhar perante a poderosa mão de Deus e esperar pelo tratamento que Ele concede ao pecador penitente. Sara precisava enxergar o seu pecado para então ser tratada por Deus. Gn.18:15 – “E Sara negou, dizendo: Não me ri; porquanto temeu. E ele disse: Não digas isso, porque te riste”. Aqui, no capítulo 18, vemos Sara ainda aprendendo acerca do assumir, confessar e deixar o pecado; Deus nunca desiste de ensinar e disciplinar Seus filhos amados.
Gn.16:7a12 – Aqui podemos ver que o Anjo do Senhor encontra-se com Agar e diz a ela para se humilhar perante sua senhora, pois ambas estavam debaixo do tratamento de Deus e não seriam desamparadas pelo Senhor. Agar teria, em seu filho, muitas alegrias e uma numerosa descendência e, também, um símbolo eterno daquilo que a carne realiza quando se propõe a ajudar na Obra de Deus. Assim, para que possamos compreender o aspecto doutrinário deste capítulo, precisamos olhar para a Epístola de Paulo à Igreja da Galácia:
Gl.4:22a25 – “Porque está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava, e outro da livre. Todavia, o que era da escrava nasceu segundo a carne, mas, o que era da livre, por promessa. O que se entende por alegoria; porque estas são as duas alianças; uma, do monte Sinai, gerando filhos para a servidão, que é Agar. Ora, esta Agar é Sinai, um monte da Arábia, que corresponde à Jerusalém que agora existe, pois é escrava com seus filhos”. Este texto nos mostra que, aos olhos de Deus, há um claro contraste entre as obras da carne, que geram filhos para a escravidão e a obra feita na Promessa de Deus, que gera filhos para a liberdade. A característica da obra segundo a carne é que ela representa o esforço humano afim de fazer, ou não, a obra de Deus, a obra fica na dependência da capacidade humana; e diz a Palavra: “O homem que fizer estas coisas, por elas viverá” (Gal.3:12). Mas o concerto de Sara revela Deus como O Realizador da promessa, inteiramente independente do homem, baseada apenas na Capacidade, Vontade e Bondade de Deus.
Quando Deus faz uma promessa, não é necessário esforço da natureza humana para cumpri-la......, Deus a realizará, independente das circunstancias. Deixar de crer na promessa de Deus, ainda que Ele pareça demorado a realizá-la (afinal, Abraão já estava a 10 anos habitando em Canaã, terra da promessa - Gn.16:3) é uma terrível prova de incredulidade; “Não fez ali muitos milagres por causa da incredulidade deles” (Mt.13:58).
Precisamos compreender qual foi o erro ocorrido na Igreja da Galácia. Porque o apóstolo Paula compara a atitude deles com a atitude de Abraão com Agar? A razão é bem simples, eles estavam tentando ACRESCENTAR alguma coisa da natureza humana, algumas coisas das obras da carne àquilo que Cristo já havia realizado por eles na Cruz. Jesus havia sido apresentado perante eles como crucificado (Gl.3:1). Isto era uma promessa divina gloriosamente consumada. Cristo crucificado correspondia perfeitamente tanto às exigências de Deus como às necessidades do homem. Porém os falsos mestres diziam: “....se não vos circuncidardes, conforme o uso de Moisés, não podeis salvar-vos” (At.15:1). Isto, como disse Paulo, era tornar Cristo sem nenhum efeito (Gl.5:2).
Cristo deve, no entanto, ser o Único Salvador, ou não é Salvador em Absoluto. Logo que alguém diz, “se não fizerdes isto ou aquilo não podeis salvar-vos” subverte e anula o evangelho. Porque no evangelho vejo Deus descendo para salvar completamente o pecador perdido e culpado sem que este tenha qualquer mérito ou capacidade de auto ajudar-se. A salvação é perfeita e completamente consumada na Graça e dependência da Cruz, a carne humana em nada pode contribuir, mas Deus faz a obra completa na Sua promessa e realização. Por isso, se alguém diz que tenho que praticar esta ou aquela obra da Lei para ser salvo, rouba à Cruz toda sua glória. A paz do evangelho não se assenta em parte na obra de Cristo e em parte na obra do homem; Não! Ela descansa inteiramente na Obra de Cristo.
Precisamos compreender que, debaixo da Lei, Deus de fato ficou em silêncio observando o que o homem podia fazer por si mesmo, tentando, pela sua capacidade carnal, cumprir a Lei. Desta forma lemos: “Todos aqueles, pois, que são das obras da Lei, estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da Lei, para fazê-las. E é evidente que pela Lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá da Fé” (Gl.3:10e11). Este texto nos esclarece que para salvar-se o homem deveria cumprir toda a Lei, no entanto, Rom3:10e20 nos diz que ninguém pode ser justificado pela Lei porque por ela vem o conhecimento do pecado e ninguém consegue cumpri-la na íntegra. Desta forma entendemos que, mesmo no velho testamento, ninguém foi salvo por obras da Lei, mas pela promessa de Deus no Salvador Jesus Cristo. Por isso, lemos em Hb.11:39e40 – “E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa, provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados”. “Porque o precedente mandamento é ab-rogado por causa da sua fraqueza e inutilidade (Pois a lei nenhuma coisa aperfeiçoou) e desta sorte é introduzida uma melhor esperança, pela qual chegamos a Deus”.... “Mas este (Jesus), porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo. Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb.7:18,19,24,24). Sem as obras da Lei, porque: “Dizendo Nova aliança, envelheceu a primeira. Ora, o que foi tornado velho, e se envelhece, perto está de acabar” (Hb.8:13). “E por isso é Mediador de um novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna” (Hb.9:15). Mesmo os Santos do Antigo Testamento foram salvos pelo Sacrifício de Jesus que a todos aperfeiçoou, porque eles aguardavam também, pela fé, a consumação desta promessa de Deus!
Precisamos compreender, qual era então a heresia dos Gálatas que levou Paulo a Dizer: “Cristo de nada vos aproveitará......vós, os que vos justificais pela Lei: Da graça tendes caído” (Gl.5:2e4). Parece que entre os Gálatas haviam novidades doutrinárias, Paulo diz: “Maravilho-me......, quem vos fascinou?..... Receio de vós......eu queria que fossem cortados aquele que vos andam inquietando” (Gl.1:6; 3:1; 4:11; 5:12). Parece que havia pessoas, na Igreja da Galácia, que haviam recebido novas doutrinas e ensinos de anjos (Gl.1:6a8). Parece que esses novos ensinos diziam que o homem deveria ajudar na Salvação de Deus cumprindo preceitos da Lei de Moisés, tais como: “abstinência de certos alimentos” (ITim.4:3), “a guarda de dias e festas” judaicas (Col.2:16) e finalmente a circuncisão característica do povo Judeu (Gl.5:2). Todas essas coisas: “Não toques, não proves, não manuseies. As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrina dos homens; As quais têm, na verdade, aparência de sabedoria, religiosidade, santidade, devoção voluntária, humildade e disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne” (Col.2:21a23). Paulo se opõe terminantemente a esta mistura de Lei com Graça para obtenção de uma suposta santidade superior. Ele diz: “Comei tudo de que se vende no açougue” (ICor.10:25). E o Senhor Jesus ensina: “Porque não é o que entra pela boca que contamina o homem e sim que sai dela” (Mt.15:11). Como seria fútil e legalista um cristão adotar a leis dietéticas da Torah e colocar-se debaixo de parte da Lei quando nem os Judeus puderam cumpri-la em totalidade, como disse Pedro: “Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar?” (At.15:10).
Paulo conclui seu argumento explicando que a promessa da Salvação não pode ser ajudada por obras da Lei pois, na Lei, o homem trabalha por seu próprio esforço e, se o homem tiver alguma coisa a ver com o assunto, DEUS É POSTO DE LADO; e se Deus é posto de parte, não pode haver salvação, pois é impossível que o homem possa operar a sua salvação por meio daquilo que prova ser ele uma criatura perdida (pois a Lei aponta a incapacidade do homem em obedecer à perfeição de Deus). Por outro lado, se a salvação é uma questão de graça, então deve ser tudo graça. Não pode ser metade Graça e metade Lei. Os dois concertos são perfeitamente distintos. Não pode ser Agar e Sara. Tem de ser uma ou outra. Se for Agar, Deus nada tem que ver com isso; se for Sara, o homem nada tem que ver com isso. É assim inteiramente. A Lei fala ao homem, prova-o, vê o que ele vale realmente, declara-o em ruína, e deixa-o debaixo da maldição; e não somente o coloca debaixo da maldição, mas conserva-o ali, por todo o tempo que ESTIVER OCUPADO COM ELA – enquanto vive. “A Lei tem domínio sobre o homem em todo o tempo que vive” (Rm.7:1); porém, morto o homem o seu domínio cessa, necessariamente, tanto quanto lhe diz respeito, não obstante estar em vigor para amaldiçoar todo homem que vive. Mas nós morremos crucificados com Cristo (Rm.6:4a8), estamos “mortos para a Lei pelo Corpo de Cristo” (Rm.7:4).
Os Gálatas, à semelhança de Abraão neste capítulo, estavam afastando-se de Deus, e voltando para a carne. Qual é o remédio para isto? Cair da Graça é voltar para debaixo da Lei, da qual nada se pode obter senão “a maldição”. Quero observar que, assim como os gálatas tiveram mestres falando com anjos e ensinando doutrinas que os faziam voltar para os preceitos da Lei, em nossos dias estes mesmo ensinos podem ocorrer, precisamos estar atentos. Ou seguimos o ensino Bíblico por completo, ou não somos o povo da Palavra de Deus. É comum surgirem falsos mestres para perturbar a Igreja, Vejamos um exemplo: O Senhor Jesus disse acerca de Sua vinda: “Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pai” (Mc.13:32). Ele afirma que nem mesmo Ele, Jesus, sabe o Dia da Sua Parousia, ou seja, da Sua volta a terra. O que nós diríamos se aparecesse um homem dizendo que sabe o Dia da volta de Jesus, um homem que diz saber mais que o próprio Jesus. É triste que muitos falsos profetas têm surgido na história da Igreja falando sobre o grande advento e marcando datas, passando sobre a Bíblia, debochando da Palavra e ainda assim, encontram pessoas para os seguirem e a seus falsos ensinos. Precisamos estar atentos, os Gálata queriam voltar aos rudimentos da Lei, eles tinham seus falsos mestres e Paulo afirma com clareza e firmeza: “SEPARADOS estais de Cristo, vós os que vos justificais pela Lei; da graça tendes caído........ Um pouco de fermento leveda toda a massa” (Gl.5:4e9). Nenhum pouco da falsa doutrina, ou do fermento (mistura de Lei com Graça), pode ser admitido na Igreja de Deus. Que o Senhor nos guarde de tamanha abominação.
Gn.16:15e16: “Agar deu a luz um filho a Abrão...” podemos ver que o filho da escrava, o filho da carne, não foi impedido de nascer, ele também teve o seu lugar ao sol. Ele jamais fez parte da promessa da benção de Abraão, da salvação para todos os povos, mas ele nasceu, ele cresceu, ele foi feito uma grande nação, uma grande nação de povos contrários e inimigos do povo de Deus: “Ele será homem feroz, e a sua mão será CONTRA todos, e a mão de todos contra ele; e habitará diante da face de todos os seus irmãos” (Gn.16:12). Aqui, nesta profecia Bíblica, entendemos que os descendentes de Ismael (árabes), filho da Egípcia Agar, estarão sempre diante dos Filhos de Sara (Israel), pois os árabes serão sempre inimigos confrontando Israel através de guerras e perseguições e, também, confrontando a Igreja de Deus (descendência espiritual de Abraão) através do Islamismo, que é a religião que mais tem perseguido e matado os cristãos nos dias atuais. A grande questão é: E quanto a nós, somos descendentes de Sara ou de Agar, somos da Lei, ou somos da Graça? Que esta dúvida jamais sobrecarregue os nossos corações fazendo-nos cair do favor imerecido e maravilhoso de Nosso Deus!

 Texto enviado por: Acyr Godoy