segunda-feira, 16 de abril de 2012

Gênesis capítulo 14


      
 

                   - Gn.14:1a11 – Interessante vermos a guerra de cinco reis contra quatro, a revolta de alguns reis contra a dominação exercida por Quedorloamer e seus reis aliados. Abraão nada tinha a ver com esses acontecimentos, como um cidadão do céu e tendo seus tesouros escondidos em Deus, ele não despertava nenhum interesse ou cobiça dos reis da terra, estava fora dos conflitos. Ló porém, habitante de Sodoma, estava no centro do conflito, ele havia estabelecido seus interesses junto com o mundo que despreza Deus, assim, quando chegou a guerra e as tempestades, ele estava bem no meio dela.

                   Pedro no diz que a “alma justa de Ló era afligida dia a dia pelo que via e ouvia das obras injustas cometidas em Sodoma” (IIPe.2:8), mas que testemunho podia ele ter frente a essas obras quando ele mesmo estabeleceu ali as suas “tendas”? Ló não estava em Sodoma para ser um testemunho de Deus e sim porque Sodoma lhe oferece privilégios financeiros em uma “campina bem regada”. Quantas vezes não defendemos nossa posição privilegiada em algum negócio ou situação que sabemos serem maus diantes do Senhor co o argumento de que, desse modo, somos mais úteis ao serviço e que no fim os lucros serão revertidos para a obra. Que terrível é esta posição a que Samuel refuta dizendo: “Obedecer é melhor do que sacrificar; e o atender melhor é de que a gordura de carneiros” (ISm.15:22).

                      - Gn.14:12a17 - Qual destes dois homens serviu melhor ao Senhor, Abraão ou Ló? O que foi para Sodoma e se imiscuiu ao mundo, ou o que saiu dele e de sua terra e até mesmo de sua parentela? Não é a história destes dois homens uma prova indiscutível de que o meio mais eficaz de servir ao mundo é ser-se fiel para com ele por meio da SEPARAÇÃO e, assim, testificar contra ele e seus caminhos? Jamais podemos nos misturar ao mundo com o fim de ganhar o mundo, isto não passa de “ensino de demônios”.
Faz-se necessário lembrar que uma genuína separação do mundo só pode ser resultado de comunhão com Deus. Eu posso separar-me do mundo e tornar, a mim mesmo, o centro do “meu ser”, a semelhança de um monge ou de um cínico, fazendo pecado ainda maior. A separação para Deus é algo muito diferente. Uma esfria-se e contrai-se a outra aquece e expande. Aquela lança-nos sobre nós mesmo, esta faz-nos sair em atividade e amor pelos outros. A primeira faz da personalidade e dos seus interesses o nosso centro; a última faz de Deus e Sua glória o nosso centro. Assim, no caso de Abraão, vemos que a sua separação o capacitou a prestar um serviço ainda maior àquele que se havia metido em dificuldades pelos seus caminhos mundanos.

                   - Gn.14:14- “Ouvindo, pois, Abrão que o seu irmão estava preso, armou os seus criados, nascidos em sua casa, trezentos e dezoito, e os perseguiu até Dã”.  A fé verdadeira, ao mesmo tempo que nos torna INDEPENDENTES, jamais nos torna INDIFERENTES. Abrão pensa a Ló como “irmão que estava preso” e não simplesmente como alguém que dele se havia separado indo atrás das campinas bem regadas de Sodoma.
Existem três coisas que a verdadeira fé gera em um coração contrito: A fé “purifica co coração”, “age por amor” e “vence o mundo” (respectivamente: At.15:19, Ef.3:17, IJo.5:4).

                             O Rei de Sodoma e Melquisedeque.


                  - Gn.14:18a24 – Vemos claramente nesta passagem que um homem de fé não está livre dos assaltos do inimigo; e acontece que invariavelmente após uma vitória, encontra-se uma nova tentação. Assim aconteceu com Abrão: “O rei de Sodoma, saiu-lhe ao encontro (depois de ferir a Quedorloamer e os reis que estavam com ele)”. O rei de Sodoma e o rei Quedorloamer representam as faces distintas em que o inimigo se apresenta: No primeiro o silvo da serpente e, no segundo, o rugido do Leão. “E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; e era este sacerdote do Deus Altíssimo. E abençoou-o, e disse: Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra”; ÓH bendita sabedoria e intervenção de nosso Deus! Ele não interveio tão diretamente quando Abrão foi enfrentar o poder militar de Quedorloamer; mas isto foi necessário quando o inimigo se apresentou lisonjeiro e sedutor oferecendo os bens materiais pertencentes à Sodoma. Abrão precisava ouvir a confirmação da antiga promessa: “pertencente ao Deus altíssimo, possuidor dos céus e da terra”. Abrão foi lembrado de que em seu Deus ele possuía tudo, Sodoma nada tinha para ele. Assim, lendo a Palavra de nosso Deus (Bíblia), todos os dias somos lembrados de nossa cidadania celestial e de que nenhuma herança podemos desejar neste mundo que pelo fogo será consumido muito em breve (IIPe.3:7).
O pão e o vinho animaram o espírito de Abrão na terrível batalha que teria ao dizer não para o rei de Sodoma e sua oferta sedutora. Abrão compreendeu que um homem que era bendito de Deus, não precisava tomar coisa alguma do inimigo. E se o Possuidor dos céus e da terra enchia sua visão, os “bens” de Sodoma jamais teriam poder de seduzi-lo ou arrancar-lhe o foco.

                     “Levantei minha mão ao SENHOR, o Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra, Jurando que desde um fio até a correia de um sapato, não tomarei coisa alguma de tudo o que é teu; para que não digas: Eu enriqueci a Abrão” (Gn.14:22be23); Como poderia Abrão pensar em libertar Ló do poder sedutor do mundo se ele mesmo tivesse sucumbido às mesmas tentações? A única forma de libertar outros é ser eu mesmo dele liberto. Enquanto eu permanecer no fogo é-me impossível tirar alguém dele. O CAMINHO DE SEPARAÇAO é o caminho de poder, paz com Deus e Bem-aventurança. Em meio a maior prova, Deus sempre é o maior escudo para aqueles que Nele confiam! “Porque, quanto ao SENHOR, seus olhos passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é perfeito para com ele” (IICr.16:9). Assim, Melquesideque fortaleceu Abrão, que nada tomou de Sodoma para si. Aleluia e Glória, eternamente, ao Nosso Deus!!!

                        Como um servo leal e compassivo do nosso Deus, Abrão entende que não poderia obrigar seus confederados (exército aliado Gn.14:13- Manre, Escol e Aner), aqueles que lutaram ao seu lado, na batalha contra Quedorloamer, a seguirem seu mesmo exemplo de renúncia; assim ele os deixa livres para a escolha e diz: “Estes que tomem a sua parte” (Gn.14:24). Quanto a eles, estavam livres para a escolha, provavelmente, até poderiam escolher o mundo, pois jamais foram “eleitos e chamados” para dele saírem.


Enviado por: Acyr Godoy