terça-feira, 23 de agosto de 2011

POSTAGEM EM CONSTRUÇÃO


Direção por Circunstâncias
No que se refere a circunstâncias , creio eu, é perfeitamente possível sermos guiados por elas; a Escritura é clara nesse ponto, no exemplo de Salmos 32:9: "... com cabresto e freio... são dominados ". A promessa e o privilégio de quem tem fé está, contudo, em contraposição a isso : "Instruir-te-ei, e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir; guiar-te-ei com os meus olhos " (v. 8). Deus que é fiel, deu-nos a promessa de nos mostrar o caminho de uma maneira direta. Se estivermos perto de Deus, entendê-lo-emos por meio de um simples gesto . (vide Salmo 123)

Ele nos adverte para não sermos como a mula ou o cavalo, que não conhecem a vontade, os pensamentos e os desejos do seu Senhor, mas com freio e cabresto precisam ser retidos. Sem dúvida, ainda é melhor sermos dominados dessa maneira, do que cairmos ou resistirmos a quem assim nos domina. Mas é uma situação triste, sermos guiados por circunstâncias. Esse procedimento por parte de Deus é um ato de misericórdia, no entanto, para nós é lamentável.

Nessa altura, temos de diferenciar entre definir o que deva ser feito em determinadas circunstâncias, e, o simples ser guiado pelas circunstâncias. Quem se deixa guiar por circunstâncias, está obscurecido no que diz respeito a reconhecer a vontade de Deus. Nessa maneira de agir não reside, absolutamente, nenhuma energia da moral, visto que são forças exteriores que determinam os procedimentos que se fazem necessários. Pode, no entanto, acontecer que não sei de antemão o que deva fazer, pois não sei com que circunstâncias ou situações vou me deparar, e, conseqüentemente não posso tomar nenhuma iniciativa. No momento, porém, em que as circunstâncias aparecerem, saberei com convicção absoluta e divina o caminho segundo os pensamentos de Deus e a intenção do Espírito.

Isso predispõe ao mais elevado grau de espiritualidade, e, não é estar sendo guiado por situações, mas significa estar sendo dirigido por Deus, em meio a situações. Estando próximos a Deus, teremos a capacidade para decidir prontamente o que devemos fazer, tão logo nos defrontarmos com as circunstâncias.

Direção por meio de Impressões e SentimentosQuanto a impressões e sentimentos pessoais, estou certo de que Deus os promove e suscita dentro de nós. Em tais casos, no entanto, teremos clareza absoluta a respeito do assunto. Na oração, Deus pode afastar certas influências da carne. Uma vez afastadas, há espaço para impulsos espirituais, os quais então envolvem a alma toda. Dessa maneira, Deus nos permite sentirmos a importância de uma tarefa, que, até então talvez, estivesse oculta sob um espaçoso desejo que muito nos ocupava. Sentimentos provenientes de Deus não permanecem obscuros ou duvidosos. Quando são operados por Deus, geralmente são explícitos. Por isso, não duvido de que Deus muitas vezes opera impressões em nosso espírito quando andamos com Ele e damos ouvidos à Sua voz.

Empecilhos em Nosso Caminho
Quando se diz que Satanás nos põe empecilhos no caminho, não significa que Deus não os tenha permitido. São causados pelo acúmulo de males provindos de circunstâncias que nos envolvem para servirem para o nosso bem.

Não deveria, no entanto, acontecer que alguém agisse sem conhecer a vontade de Deus. A única regra que poderíamos estipular, é: nunca fazer algo, quando não se sabe com certeza qual é a vontade do Senhor.
A vontade de Deus deveria ser, tanto o motivo, quanto a diretriz para os nossos atos. Enquanto a vontade de Deus não estiver em ação, não haverá motivo para a existência da nossa vontade. Quando você age sem conhecer a vontade de Deus, você fica exposto a circunstâncias. Com efeito, Deus fará com que tudo coopere para o bem dos seus filhos, mas por que temos de agir sem sabermos a sua vontade?

Se faço algo com a plena certeza de que é da vontade de Deus, fica claro que, se alguma coisa me impede no caminho, só pode ser uma provação para minha fé, e não deveria deter-me. Nesse caso, somente a falta de fé irá deter-me no caminho segundo Deus. Porque, quando não nos mantivermos perto do Senhor, cientes da nossa insuficiência, faltar-nos-á a fé para realizar aquilo para que havíamos tido fé suficiente para o reconhecer. Certamente, quando formos rebeldes e desleixados, Deus, na Sua misericórdia, pode nos advertir, usando de alguma circunstância que venha nos deter, no nosso caminho, se é que daremos atenção, Pois é fato que os 'simples não atentam e sofrem a pena ' (veja em Pv 27:12). Pode ser que Deus permita que, onde há muito trabalho e atividade, Satanás nos ponha empecilhos no caminho para que fiquemos na dependência de Deus.

Porém, Deus nunca permite a Satanás influenciar-nos, senão segundo à carne. Quando não somos vigilantes, e, nos distanciamos de Deus, Satanás nos prejudica. No primeiro caso, a influência de Satanás é somente uma provação para a nossa fé, e que vem nos guardar de algum laço, ou mesmo para nos advertir do perigo de nos exaltarmos. É um instrumento na mão de Deus, para nos corrigir. Explicando: Deus permite a Satanás inquietar o nosso espírito, fazendo com que o nosso homem exterior sofra, para que o interior fique guardado do mal.
Outra razão para nossa correção pela intervenção de Satanás podem ser os nossos "se" e "porém", que nos detêm, ou mesmo nossa desatenção, que possa ter aberto a Satanás uma porta entre nós e Deus, para penetração de dúvidas e aparentes dificuldades, já que a nossa visão ficou ofuscada; "mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca" (1 Jo 5:18). Com uma palavra: Trata-se da nossa situação moral. Quando surgir uma pergunta que não soubermos responder prontamente, havemos de descobrir que tal pergunta nem sequer teria surgido se a nossa alma estivesse em boa posição, e, se sentimentos verdadeiramente espirituais nos tivessem guiado e guardado. A única coisa que nos resta fazer, em tal caso, é humilhar-nos.

Princípios que nos Orientam Bem
Examinemos a Escritura com a finalidade de verificar se ela nos transmite princípios que sejam próprios para nos orientar. Única condição para tanto é uma disposição clara do nosso espírito.

A regra: deveríamos fazer o que o Senhor Jesus teria feito em dito caso, é excelente, onde e quando puder ser aplicada; a dúvida, porém , é se em muitas dessas ocasiões estamos nas circunstâncias nas quais Ele se achava.
Como próximo meio de se orientar é útil dirigir a si próprio a pergunta: de onde surge essa inclinação ou esses pensamentos, que me levam a tornar tais decisões?
Temos constatado que essa auto-análise soluciona mais da metade das dificuldades ou dúvidas do Cristão. O que ainda resta de dificuldades e dúvidas é fruto da nossa própria precipitação ou de pecados do passado. Quando um pensamento procede de Deus, e não da carne, precisamos somente nos dirigir a Deus e Ele nos orientará, no que diz respeito à realização. Há casos nos quais, embora já existam razões, ainda necessitamos da Sua orientação; por exemplo: quando estamos indecisos a respeito de uma visita ou de algum serviço semelhante. Uma vida cheia de amor ardente, exercitado no conhecimento e na devoção a Deus, há de nos manifestar com clareza os nossos motivos em cada caso. Talvez, muitas vezes tenhamos de reconhecer que a nossa parcela de participação em alguma atividade, não passa de egoísmo.

Talvez alguém diga: Mas como devo agir quando da decisão face a uma pergunta que não diz respeito nem ao amor, nem à obediência? Eu, então, respondo: você deveria enunciar-me qualquer motivo para agir. Nesse caso, trata-se somente da sua própria vontade, quando é claro que você não pode sujeitar a sabedoria de Deus à Sua vontade. Nesse tipo de atitudes reside, igualmente, a razão de uma série de dificuldades, que Deus jamais há de resolver. Em casos dessa ordem, Ele, na Sua graça quer nos ensinar obediência e nos mostrar quanto tempo temos perdido, andando obstinados, em nossas próprias atividades. Porque " guiará os mansos retamente: e aos mansos ensinará o seu caminho " Salmos 25:9.

Lembre-se sempre de que a sabedoria de Deus quer nos guiar nas veredas da Sua vontade; quando, porém, nossa própria vontade estiver em ação, Deus não pode estar conosco. Isso é essencial. É o mistério da vida de Cristo.
Eu desconheço qualquer outro princípio do qual Deus possa fazer uso, embora ele possa nos perdoar e fazer com que todas as coisas concorram juntamente para o nosso bem. A tarefa do porteiro é ficar postado junto ao portão. Acontece que, enquanto ele cumpre com essa sua obrigação, ele faz a vontade do seu Senhor. Podemos estar certos de que Deus faz mais "em" nós, do que nós "para" Ele. Nós somente fazemos algo para ele, quando Ele o houver operado em nós.